terça-feira, 13 de agosto de 2013
sexta-feira, 9 de agosto de 2013
quarta-feira, 7 de agosto de 2013
A função de um Técnico em Segurança do Trabalho
Este texto surgiu depois de ouvir o seguinte relato:
Um novo Gerente assumiu uma determinada empresa e chamou a equipe de Segurança do Trabalho para conhecer. A primeira pergunta que ele fez ao chefe do SESMT foi:
__ O que vocês fazem?
Então o chefe começou a enumerar algumas atividades, mas o gerente o interrompeu dizendo que tudo aquilo ele já sabia. O que ele queria saber era qual o produto ou serviço que era oferecido aos clientes.
A resposta à pergunta do título parece óbvia, mas a maioria dos TST vai titubear ao responder essa pergunta. O motivo é simples: fazemos tantas coisas que acabamos por esquecer-se de nossa principal missão: prevenir acidentes – esse é o nosso produto, ou melhor, serviço.
Poderíamos começar explicando ao nosso inquiridor respondendo a pergunta – Por quê?
- Por que fazemos prevenção? – depois respondemos a pergunta – Onde?
- Onde fazemos prevenção? – e por último, a pergunta – Como?
- Como fazemos prevenção?
É comum ao sermos indagados sobre o que nós fazemos, começarmos a explicar como fazemos, citando:
- O Técnico de Segurança faz treinamentos de segurança;
- Faz inspeção de segurança;
- Faz PPRA, PCMAT, eleição da CIPA, PPP, relatórios, etc e tal.
Ainda podemos citar as lista de atribuições contida na NR4, mas a resposta que o nosso interlocutor precisaria ouvir seria muito simples: __Eu faço prevenção!
Tudo que citei acima e também o conteúdo de nossas atribuições têm um só fim – prevenir acidentes.
Portanto, a nossa meta deve ser a de sempre chegar antes do acidente, mas infelizmente ainda gastamos boa parte de nosso tempo naquilo que já aconteceu. Não que isso não seja importante. É claro que precisamos de uma boa análise de um acidente para evitarmos a reincidência. No entanto, enquanto estamos reagindo há um acontecimento, outro evento não desejado pode estar acontecendo nesse momento.
Num linguajar mais comum, estamos correndo atrás do prejuízo. Ou seja, o fato já ocorreu. Em algum momento existiu uma falha que levou ao acontecimento. Essa falha pode ser fruto de uma série de desvios administrativos não analisados criticamente ou simplesmente ignorados como fatos insignificantes.
Em segurança do trabalho não se pode desprezar nada. Cada detalhe é importante, porém mais importante ainda, é perceber que esse detalhe faz parte de um todo. Ter essa visão crítica é essencial para que possamos exercer nossa função com sucesso.
Nós não somos onipresentes, mas podemos influenciar os trabalhadores, usando de nossos conhecimentos técnicos durante os treinamentos, palestras e inspeções de rotina. Para obtermos sucesso em nossa empreitada temos que estar bem preparados. Tomar cuidados com nossas atitudes que podem gerar certo desconforto é fundamental. A arrogância é o caminho mais curto para o fracasso. Quando escrevi sobre esse tema, foi porque tive o desprazer de conviver com essa situação durante alguns anos e vi que tudo que foi feito não teve o resultado esperado. Foi um grande aprendizado para minha vida profissional. Não é com a força que se previne acidentes. Tampouco se previne acidentes com discursos bonitos. É preciso que a ação combine com o discurso.
Em resumo, nossas tarefas são muitas, mas o primordial é que as pessoas entendam que nossa missão é a de evitar que elas se machuquem. Mesmo que para isso tenhamos que tomar medidas que podem não agradá-los no momento, mas se você fizer o seu trabalho bem feito, pode acreditar que vai terminar seu dia com a certeza do dever cumprido.
O caso que citei acima é real e a pergunta feita pelo gerente tinha um motivo específico – o número de acidentes dessa empresa tinha aumentado no ano anterior.
O trabalho na prevenção é árduo e pouca gente percebe quando tudo está correndo bem, mas quando as coisas vão mal, todo mundo acha que a “segurança” não está fazendo seu trabalho direito. E isso só tem uma explicação: Estamos “fazendo o trabalho” que vendemos aos nossos clientes. E essa não é nossa missão – como assessores, temos que convencer nossos clientes de que o trabalho de prevenção tem que ser feito por eles. Só assim a Segurança do Trabalho realmente vai funcionar.
Fonte: Portal Tem Segurança.
Técnico de segurança do trabalho Ele treina e inspeciona as frentes de trabalho para evitar acidentes nos canteiros de obras Reportagem: Giovanny Gerolla
Profissional
Marcelo Scandaroli
Nome: Amadeu Moraes
Idade: 48 anos
Onde nasceu: Curitiba
Onde mora: Uberlândia (MG)
Onde trabalha: Racional Engenharia
Função atual: Técnico de Segurança do Trabalho
Há quanto tempo você atua como técnico de segurança do trabalho?
Atuo como técnico há 18 anos, mas sou militar reformado da Aeronáutica.
Como aprendeu a profissão?
O curso foi realizado em uma escola estadual em São José dos Campos, São Paulo. Tínhamos matérias técnicas intercaladas com as disciplinas do colegial regular (hoje equivalente ao ensino médio). O Governo do Estado, na década de 1990, implantou esses cursos técnicos em algumas escolas, a título de experiência, só que por falta de alunos e devido ao baixo índice de aprovação, eles foram sendo retirados das escolas públicas.
Por que você escolheu trabalhar nessa área?
Tudo aconteceu por acaso. Eu estava fazendo, na verdade, um curso particular de Técnico em Contabilidade e, a pedido de alguns amigos, mudei para o Técnico de Segurança do Trabalho. Gostei muito. Durou três anos e foi totalmente gratuito.
É difícil ser técnico de segurança do trabalho?
No início foi muito difícil, pois naquela época as empresas somente contratavam esse profissional para cumprir a legislação vigente. Nós não atuávamos do jeito que tinha que ser.
Hoje a situação é diferente?
A situação mudou muito porque as empresas sentem o custo alto das implicações legais e judiciais de um acidente de trabalho. Como resultado, passaram a investir mais em segurança, além de permitir e cobrar a atuação eficaz do profissional dessa área.
O que é necessário para ser um bom técnico?
Em primeiro lugar, ser justo e enérgico, sem arrogância, conquistando o respeito de toda a equipe. É preciso saber colocar sua opinião e, ao mesmo tempo, respeitar a de outras pessoas envolvidas; mostrar a irregularidade, imediatamente propor uma solução e, na medida do possível, amar o que faz.
Como é a rotina de trabalho?
Na área da construção civil não há rotina, pois as atividades variam de minuto a minuto.
Quais são suas responsabilidades?
O profissional deve inspecionar constantemente as frentes de trabalho, orientar e dar suporte técnico a toda equipe, cobrar o uso de EPIs, fazer vistoria de máquinas e equipamentos, palestrar para novos colaboradores, para que se integrem à equipe, diálogos diários de segurança e outros treinamentos específicos.
O técnico fica envolvido em algum tipo de risco?
Ele fica exposto a vários tipos de risco, como qualquer colaborador no canteiro de obras.
Em 18 anos, você realizou algum curso de reciclagem profissional?
Uma reciclagem que fiz foi o curso de Segurança em Espaço Confinado. Também é importante que o técnico esteja sempre atento às Normas Regulamentadoras de Segurança e Medicina do Trabalho, que estão sempre mudando.
O uso de Equipamentos de Proteção Individual ainda é um problema? As pessoas são muito resistentes?
Infelizmente, sim. O colaborador ainda resiste quanto ao uso do EPI, dizendo que atrapalha, dá dores de cabeça, ou esquenta demais. Esta é uma questão comportamental difícil de ser corrigida. A maioria das pessoas só entende a importância do equipamento quando sofre o acidente.
Você teria algum exemplo para citar?
Em uma determinada obra, passei uma vez junto ao poço do elevador e pude constatar que o funcionário não utilizava o cinto de segurança. Imediatamente o adverti - verbalmente e, depois, por escrito. Ele foi obrigado a colocar o cinto. Depois de mais uma hora de trabalho, fui informado de que, ao puxar uma tábua que não suportou o seu peso, ele foi lançado para o interior do poço. Ficou pendurado pelo cinto de segurança e até hoje é muito agradecido a mim.
Características da função
O que faz o técnico em segurança do trabalho - Atua na prevenção de acidentes e doenças ocupacionais, elabora planejamento e realiza inspeções nas frentes de serviço da empresa e treinamentos.
Em que etapa da obra entra - Desde o início da obra, assim terá melhores condições de integrar-se à equipe e participar do planejamento de Segurança do Trabalho.
Em quais tipos de empresa pode trabalhar - Em todas que devem atender à legislação vigente ou que desejam ir além das necessidades legais e permitir melhores resultados em Segurança.
Mercado de trabalho - O mercado está bom e tende a melhorar ainda mais, com a previsão do surgimento de inúmeras obras para a Copa de 2014 e para as Olimpíadas de 2016.
Onde aprender - Cursos técnicos particulares e atuação profissional diária.
Salário médio - De R$ 2.200,00 a R$ 4.000,00, dependendo da experiência e do porte da empresa.
Responsabilidades - Realizar análise de acidente e/ou doença do trabalho (ocupacional) e propor recomendações para evitar novas ocorrências; treinamentos; procedimentos de segurança do trabalho; participar das reuniões da Cipa (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes), se existir; colaborar na realização da Sipat (Semana Interna de Prevenção de Acidentes); participar de reuniões sobre Segurança do Trabalho; especificar os EPIs (Equipamentos de Proteção Individual); especificar os EPCs (Equipamentos de Proteção Coletiva).
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